
A automação está transformando o mercado de limpeza profissional, e os robôs autônomos começam a ganhar espaço em ambientes comerciais e industriais. Durante a HIGIEXPO 2026, realizada entre os dias 20 e 22 de outubro, no Distrito Anhembi, em São Paulo, a Redroad apresenta soluções de limpeza robotizada, com destaque para o RD70 Pro, equipamento desenvolvido para operar em grandes ambientes.
O robô combina sensores, navegação inteligente e recursos de automação para realizar atividades de limpeza em locais como shopping centers, hospitais, supermercados, fábricas e aeroportos. A proposta é reduzir a necessidade de intervenção humana em tarefas repetitivas, permitindo que equipes se concentrem em atividades de supervisão e manutenção.
Além de conhecer os equipamentos apresentados na feira, o Tech Dicas realizou uma entrevista exclusiva com o Dr. Danny Cui, executivo e especialista em inteligência artificial e robótica, para entender o futuro dos robôs comerciais, os desafios da tecnologia e as oportunidades para o mercado brasileiro.
Durante a conversa, Cui abordou o avanço da inteligência artificial física, a utilização de gêmeos digitais, a segurança dos equipamentos e as transformações que a automação poderá provocar no mercado de trabalho.
Redroad apresenta soluções de limpeza autônoma na HIGIEXPO 2026
A HIGIEXPO é considerada uma das principais feiras de limpeza profissional da América Latina, reunindo fabricantes, distribuidores, especialistas e empresas interessadas em soluções para limpeza, conservação e gestão de instalações.
Em 2026, o evento acontece no Distrito Anhembi, em São Paulo, com uma programação voltada à inovação, sustentabilidade, produtividade e novas tecnologias aplicadas ao setor.
Entre as soluções apresentadas pela Redroad estão robôs capazes de executar diferentes atividades de limpeza, desde operações em corredores estreitos até serviços em grandes instalações industriais. O portfólio divulgado pela fabricante inclui modelos como RD10 Pro, RD45, RD55 e RD70 Pro, com características específicas para diferentes necessidades operacionais.
O destaque é o RD70 Pro, um robô comercial de médio a grande porte, desenvolvido para ambientes que exigem limpeza de grandes superfícies e operação automatizada.
RD70 Pro: conheça o robô de limpeza comercial da Redroad
O RD70 Pro é uma lavadora robótica comercial que utiliza sistemas de navegação e sensores para realizar a limpeza de pisos de maneira autônoma.
Segundo as especificações fornecidas pela fabricante, o equipamento apresenta eficiência operacional de até 2.040 metros quadrados por hora, dependendo das condições de utilização. Essa capacidade permite sua aplicação em espaços como supermercados, centros comerciais, estacionamentos, aeroportos, hospitais e instalações industriais.
O robô possui largura de limpeza de 560 milímetros e trabalha com pressão de 27 kg sobre o piso, característica destinada à remoção de sujeiras mais difíceis. Outro diferencial é seu sistema de navegação, que combina recursos visuais e sensores a laser para identificar o ambiente e orientar os deslocamentos.
Principais especificações técnicas do RD70 Pro
De acordo com o material técnico disponibilizado pela Redroad, o equipamento apresenta as seguintes características:
- Eficiência operacional: até 2.040 m²/h;
- Largura de limpeza: 560 mm;
- Velocidade de deslocamento: até 4 km/h;
- Pressão aplicada ao piso: 27 kg;
- Tanque de água limpa: 70 litros;
- Tanque de água suja: 50 litros;
- Capacidade de bateria: 100 Ah;
- Autonomia operacional: até 4 horas;
- Navegação: sistema visual e a laser;
- Sensores: LiDAR, câmeras de profundidade, ultrassom e sensores de movimento;
- Controle: aplicativo e plataforma de gerenciamento.
A combinação dos reservatórios oferece uma capacidade total de armazenamento de água de 120 litros, considerando os compartimentos de água limpa e utilizada.
O sistema de sensores também permite que o equipamento identifique obstáculos durante o deslocamento, recurso importante para operações em ambientes compartilhados com trabalhadores e visitantes. Os resultados de produtividade podem variar conforme o tipo de piso, a quantidade de obstáculos, o nível de sujeira e as condições do ambiente.
Como funciona a navegação autônoma do RD70 Pro?
Uma das principais características dos robôs comerciais modernos é a capacidade de interpretar informações sobre o ambiente. No RD70 Pro, sensores como LiDAR e câmeras fornecem dados que auxiliam o sistema de navegação a identificar obstáculos e orientar o deslocamento.
O LiDAR utiliza pulsos de luz para medir distâncias e contribuir para a construção de representações espaciais. Já as câmeras e os demais sensores oferecem informações complementares sobre o ambiente. Essa combinação permite que o robô trabalhe com diferentes fontes de informação, reduzindo sua dependência de um único sensor.
Na prática, o equipamento pode seguir rotas planejadas e adaptar seus movimentos às condições encontradas durante a operação. Entretanto, a autonomia não elimina a necessidade de configuração, manutenção preventiva e acompanhamento técnico.
Outros robôs comerciais apresentados pela Redroad
Além do RD70 Pro, a Redroad possui outros equipamentos destinados a diferentes tipos de instalação. O RD10 Pro é um modelo compacto, com peso informado de 26 kg e largura de limpeza de 350 mm. Sua proposta é atuar em locais menores, como corredores, hotéis, escolas e áreas comerciais com circulação de pessoas. O equipamento oferece autonomia declarada de até oito horas em modo de varrição e três horas em operações de lavagem de pisos.
Já o RD45 é uma solução intermediária que combina diferentes funções de limpeza. Segundo a fabricante, o modelo apresenta eficiência teórica de 1.400 m²/h e tempo de recarga de aproximadamente 1,5 hora. Outro integrante da linha é o RD55, desenvolvido para ambientes comerciais de médio e grande porte. Entre seus diferenciais estão recursos de autolimpeza e a possibilidade de integração com sistemas de controle de acesso e elevadores.
Essas características demonstram como a automação pode ser adaptada a diferentes necessidades, desde pequenas instalações até operações que envolvem grandes superfícies.
Entrevista exclusiva: Danny Cui explica o futuro dos robôs comerciais
Durante a cobertura da HIGIEXPO 2026, o Tech Dicas conversou com o Dr. Danny Cui, especialista em inteligência artificial e robótica, com doutorado em Neurociência Computacional pela Universidade de Maryland, nos Estados Unidos.
Na entrevista, Cui apresentou sua visão sobre a evolução do setor, a utilização de inteligência artificial em ambientes comerciais e a importância da infraestrutura de suporte para a expansão dessas tecnologias.
A seguir, confira a entrevista, traduzida do inglês para o português, com as respostas preservadas em seu conteúdo e sentido original.
Como você imagina a evolução dos robôs comerciais nos próximos cinco anos? O que eles poderão fazer que ainda não conseguem hoje?
Danny Cui: “Atualmente, a taxa de penetração dos robôs comerciais de limpeza ainda está abaixo de 2%. Esperamos que esse número aumente para pelo menos 10% até o final de 2030, nos próximos cinco anos. O principal fator que impulsionará esse crescimento é a nova geração de inteligência artificial física e a tecnologia de gêmeos digitais. Essas tecnologias tornam os robôs muito mais inteligentes e permitem que eles naveguem em ambientes complexos e dinâmicos.”
A expectativa apresentada pelo executivo indica um potencial de expansão para a robótica comercial, embora os percentuais citados representem sua avaliação do mercado, e não uma previsão independente verificada pelo Tech Dicas.
Qual é o papel da inteligência artificial nos robôs comerciais? O que diferencia um robô inteligente de uma máquina automatizada?
Danny Cui: “Para que qualquer robô consiga trabalhar em um ambiente complexo, precisamos que ele seja capaz de compreender esse ambiente. Ele precisa saber onde está no mapa, o que existe ao seu redor e o que vai acontecer naquele ambiente. Antigamente, os robôs conseguiam apenas executar tarefas repetitivas, como percorrer a mesma rota várias vezes.
Com a nova inteligência artificial e os grandes modelos de linguagem, os robôs passam a ser capazes de interpretar o que está acontecendo, prever o que poderá acontecer e escolher a melhor estratégia para aquele ambiente. Isso torna os robôs muito mais inteligentes e eficientes em ambientes comerciais.”
A explicação destaca uma mudança importante na automação: a passagem de equipamentos que simplesmente repetem instruções para sistemas capazes de interpretar informações e ajustar suas ações.
Quais oportunidades e desafios você enxerga para a adoção de robôs comerciais no Brasil?
Danny Cui: “Acredito que o fator mais importante aqui seja a localização das operações e o suporte local. Porque, para que um robô funcione com sucesso em determinado ambiente, não precisamos apenas de um software inteligente.
Também precisamos de uma equipe local por trás do robô, oferecendo os serviços necessários. Por exemplo, quando alguma coisa apresenta defeito, é preciso ter suporte e fornecer peças de reposição. Estamos preparados para isso com o estabelecimento da nossa sede para a América Latina aqui em São Paulo, no Brasil. Também estamos estruturando nosso estoque local de peças de reposição e nosso armazém, para que possamos oferecer atendimento em tempo adequado, tanto durante quanto depois da venda.”
A declaração demonstra que a expansão da robótica comercial depende de fatores que vão além do desenvolvimento de hardware e software. A disponibilidade de assistência técnica, profissionais especializados e peças de reposição é essencial para empresas que pretendem utilizar equipamentos autônomos em operações contínuas.
Muitas pessoas têm receio de perder seus empregos para os robôs. Como você acredita que a robótica vai transformar o mercado de trabalho?
Danny Cui: “Acredito que também surgirão novos tipos de oportunidades.
Nós mesmos contratamos muitas pessoas para trabalhar como técnicos, engenheiros de implantação e engenheiros de serviços. É importante lembrar que o robô ainda é uma ferramenta.
É uma ferramenta que melhora nossa produtividade e eficiência, mas que ainda precisa ser implantada, receber manutenção e ser atendida por pessoas. Por isso, acreditamos que, com o crescimento do mercado de robôs, também veremos muitas novas oportunidades no mercado de trabalho. Mas não serão mais aqueles antigos tipos de tarefas repetitivas. Serão atividades mais desafiadoras, o que também as torna mais atraentes para as gerações mais jovens.”
A resposta reforça que a automação poderá transformar as funções exercidas pelos profissionais, criando demandas relacionadas à implantação, configuração e manutenção de sistemas robóticos. Isso não significa, necessariamente, que todos os empregos afetados pela automação serão substituídos por novas vagas. A transição dependerá de fatores como capacitação profissional, investimentos e mudanças nas operações das empresas.
Qual é o maior desafio técnico para desenvolver um robô capaz de operar com segurança em ambientes movimentados?
Danny Cui: “Em qualquer ambiente comercial existem muitos fatores imprevisíveis.
Por isso, é muito importante garantir que o robô seja sempre seguro quando estiver próximo das pessoas. Para que isso aconteça, utilizamos vários sistemas de sensores redundantes ao redor do robô.
Veja, por exemplo, o robô que está atrás de mim. Você pode encontrar sensores como LiDAR, sonares, câmeras de profundidade, câmeras convencionais e vários outros tipos de sensores. Tudo isso serve para garantir que, mesmo que um dos sistemas falhe ao detectar um obstáculo ou uma pessoa, existam outros sistemas capazes de manter a segurança do robô.”
A redundância mencionada pelo executivo é uma estratégia importante em projetos de robótica. Ao utilizar diferentes tecnologias de percepção, os equipamentos podem reduzir os riscos associados à falha de um sensor isolado. Ainda assim, a presença de múltiplos sensores não significa ausência absoluta de riscos. A operação segura depende também de testes, procedimentos e condições adequadas de utilização.
Considerando seu doutorado em Neurociência Computacional, você participa diretamente das decisões técnicas relacionadas ao desenvolvimento dos robôs?
Danny Cui: “Sim, absolutamente.
A neurociência computacional é uma área que está na interseção entre a ciência do cérebro e a inteligência artificial. O que eu estudava era o desenvolvimento da próxima geração de algoritmos de inteligência artificial para tornar os robôs mais inteligentes em ambientes complexos. E esse é exatamente o mesmo tipo de sistema técnico que temos utilizado e desenvolvido em nossos projetos de robótica.”
A formação acadêmica de Cui ajuda a compreender sua abordagem sobre o desenvolvimento de sistemas inteligentes. A neurociência computacional investiga, entre outros temas, como processos relacionados ao funcionamento do cérebro podem ser representados por modelos matemáticos e computacionais.
Esses conhecimentos podem contribuir para pesquisas em aprendizado de máquina, percepção, tomada de decisão e inteligência artificial.
Nota editorial: a entrevista foi realizada em inglês e traduzida para português brasileiro. As respostas foram organizadas para facilitar a leitura, preservando as informações apresentadas pelo entrevistado. Pequenas hesitações e repetições da fala foram removidas. A identificação de uma das empresas mencionadas no encerramento foi omitida devido à imprecisão da transcrição automática.
Inteligência artificial física e gêmeos digitais: o que muda na robótica?
Durante a entrevista, Danny Cui destacou duas tecnologias que considera fundamentais para o crescimento do setor: a inteligência artificial física e os gêmeos digitais. A inteligência artificial física, também conhecida como Physical AI, envolve sistemas capazes de perceber informações do mundo real e utilizá-las para orientar ações de máquinas e robôs.
Diferentemente de uma aplicação de IA dedicada exclusivamente à geração de textos ou imagens, esses sistemas precisam lidar com objetos, obstáculos, movimentos e mudanças que acontecem em ambientes físicos.
Já os gêmeos digitais, ou digital twins, são representações digitais de equipamentos, processos ou ambientes reais. Na robótica, essas representações podem auxiliar na simulação de cenários, avaliação de trajetórias, testes e otimização de operações antes de sua execução no ambiente físico. A combinação dessas tecnologias pode contribuir para o desenvolvimento de equipamentos mais adaptáveis, especialmente em locais nos quais a circulação de pessoas e objetos muda constantemente.
Entretanto, sua implementação exige integração entre sensores, sistemas computacionais, algoritmos e infraestrutura de comunicação. Durante a entrevista, Danny Cui destacou a importância de estabelecer operações locais em São Paulo, incluindo estrutura de atendimento e armazenamento de peças.
A iniciativa mencionada pelo executivo busca atender a uma necessidade prática: empresas que dependem de equipamentos para suas atividades diárias precisam contar com suporte técnico em caso de falhas.
Outro fator relevante será a qualificação de profissionais para instalação, configuração, manutenção e acompanhamento desses sistemas. Nesse cenário, conhecimentos em redes, sensores, automação, programação, inteligência artificial e infraestrutura de TI poderão ganhar relevância em novas funções relacionadas à robótica.
Robôs de limpeza vão substituir trabalhadores?
A chegada dos robôs comerciais também levanta questionamentos sobre os efeitos da automação no emprego. Como destacou Danny Cui, os equipamentos precisam de profissionais responsáveis por implantação, manutenção e suporte.
A discussão, portanto, envolve tanto os possíveis ganhos de produtividade quanto os desafios de requalificação e adaptação do mercado de trabalho. O futuro da limpeza profissional será cada vez mais tecnológico. A entrevista com Danny Cui também evidencia que o desenvolvimento de robôs inteligentes envolve desafios que vão além da capacidade de executar tarefas.
A compreensão do ambiente, a segurança na interação com pessoas e a capacidade de adaptação serão fatores decisivos para a evolução da robótica comercial. Para profissionais de tecnologia, o avanço desse mercado também abre espaço para novas discussões sobre inteligência artificial, integração de sistemas, infraestrutura e automação.
Mais do que substituir processos manuais, a robótica comercial aponta para uma transformação na maneira como empresas organizam suas operações e utilizam a tecnologia.


