
A velocidade das mudanças tecnológicas transformou a forma como as empresas organizam suas equipes de tecnologia.
Modelos tradicionais, nos quais cada profissional atua isoladamente em seu departamento e os projetos passam por diversas áreas antes de serem concluídos, podem criar gargalos, aumentar o tempo de resposta e dificultar a colaboração.
Nesse contexto, os squads de T.I ganharam espaço como uma alternativa para tornar o desenvolvimento, a operação e a evolução de produtos e serviços tecnológicos mais ágeis.
Mas, afinal, o que são squads de T.I? Para quem esse modelo é indicado? Para que serve uma estrutura baseada em squads de tecnologia e quais são seus principais benefícios e desafios?
Embora o termo seja frequentemente associado ao desenvolvimento de software e às metodologias ágeis, a aplicação de squads multidisciplinares pode ir muito além da programação.
Empresas utilizam esse modelo em projetos de infraestrutura, segurança da informação, transformação digital, atendimento de TI, automação, dados, produtos digitais e melhoria de processos.
No entanto, simplesmente reunir profissionais de diferentes especialidades e chamar o grupo de squad não significa que a organização tenha criado uma estrutura ágil.
A eficiência dos squads de T.I depende de objetivos claros, autonomia, comunicação, processos bem definidos, ferramentas adequadas e uma cultura organizacional capaz de apoiar decisões mais descentralizadas.
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O que são squads de T.I?
Um squad de T.I é uma equipe multidisciplinar organizada para alcançar um objetivo específico, resolver um problema ou desenvolver e evoluir um produto, serviço ou processo.
Em vez de depender exclusivamente de departamentos separados, como desenvolvimento, infraestrutura, qualidade e negócios, o squad de tecnologia reúne profissionais com competências complementares.
A composição de uma equipe pode variar conforme a necessidade da empresa.
Um squad de T.I, por exemplo, pode reunir desenvolvedores, analistas de infraestrutura, especialistas em segurança, profissionais de UX, analistas de qualidade, gestores de produto, analistas de dados e representantes da área de negócios.
O ponto central não está apenas nas profissões presentes na equipe, o que realmente caracteriza os squads multidisciplinares é a existência de um propósito compartilhado e a capacidade de trabalhar de forma integrada.
Assim, em vez de um projeto percorrer uma sequência rígida de departamentos, os profissionais envolvidos podem colaborar desde o início.
Essa integração reduz transferências de responsabilidade, diminui ruídos de comunicação e permite que decisões sejam tomadas com maior contexto técnico e operacional.
Um squad de tecnologia normalmente trabalha com metas claras e indicadores relacionados ao resultado que precisa gerar, isso significa que a equipe não deve ser avaliada apenas pela quantidade de tarefas concluídas, mas também pelo impacto produzido.
Por exemplo, um squad de T.I responsável por melhorar o suporte interno pode ter como objetivo reduzir o tempo de resolução de chamados, automatizar solicitações repetitivas e melhorar a experiência dos usuários.
Nesse caso, o sucesso não está simplesmente na quantidade de funcionalidades desenvolvidas, mas na melhoria mensurável do serviço.
Para que servem os squads de tecnologia?
Os squads de T.I servem para aproximar competências diferentes em torno de um objetivo comum, esse modelo é especialmente útil quando um problema não pode ser resolvido por apenas uma área.
Projetos tecnológicos modernos costumam envolver diversas variáveis.
Uma nova aplicação, por exemplo, pode exigir desenvolvimento, testes, integração com outros sistemas, infraestrutura em nuvem, controles de segurança, monitoramento e validação das regras de negócio.
Quando cada etapa depende de uma estrutura departamental isolada, o projeto pode acumular filas, uma equipe termina sua parte e encaminha o trabalho para outra área.
Se houver dúvidas, erros ou alterações, o processo retorna para etapas anteriores.
Com squads multidisciplinares, parte dessas interações acontece dentro da própria equipe, como consequência, o ciclo de decisão pode se tornar mais curto.
Além disso, os squads de tecnologia ajudam organizações a trabalhar com problemas complexos e objetivos específicos, um squad pode ser criado para desenvolver um produto digital, migrar sistemas para a nuvem, implementar uma iniciativa de automação ou melhorar a segurança de determinados processos.
Outro uso importante dos squads de T.I está na transformação digital.
Empresas que precisam modernizar processos frequentemente descobrem que a tecnologia não pode trabalhar separadamente das áreas de negócio, um novo sistema pode funcionar perfeitamente do ponto de vista técnico e, ainda assim, falhar porque não atende à realidade dos usuários.
Por isso, a participação de profissionais que conhecem o processo de negócio torna o trabalho dos squads multidisciplinares mais conectado às necessidades reais da organização.
Para quem os squads de T.I são indicados?
Os squads de T.I podem ser utilizados por empresas de diferentes tamanhos. Entretanto, o modelo costuma gerar mais benefícios quando existe uma necessidade real de colaboração entre diferentes competências.
Empresas que desenvolvem produtos digitais encontram nos squads de tecnologia uma forma de reunir profissionais necessários para a evolução contínua de uma solução.
Da mesma forma, organizações que mantêm sistemas internos complexos podem utilizar squads para resolver problemas específicos ou conduzir projetos estratégicos.
O modelo também pode ser adequado para empresas que enfrentam excesso de dependências entre departamentos, quando um projeto precisa esperar sucessivamente por desenvolvimento, infraestrutura, segurança e homologação, uma estrutura multidisciplinar pode reduzir parte desses gargalos.
Por outro lado, nem toda atividade precisa de um squad de T.I. Processos altamente previsíveis e repetitivos podem funcionar melhor com equipes especializadas e fluxos operacionais bem definidos.
Uma central de suporte, por exemplo, precisa manter atividades contínuas relacionadas ao atendimento de usuários.
Mesmo assim, squads de T.I podem ser criados temporariamente para resolver problemas estruturais identificados dentro da operação, como a automação de solicitações, a redução de incidentes recorrentes ou a melhoria da experiência do usuário.
Portanto, a escolha não precisa ser entre uma estrutura tradicional e uma organização composta exclusivamente por squads multidisciplinares, muitas empresas utilizam modelos híbridos.
Como funciona um squad de T.I na prática?
Na prática, os squads de T.I trabalham em torno de uma missão claramente definida, essa missão deve indicar o problema que precisa ser resolvido ou o resultado esperado.
A equipe recebe autonomia para decidir como alcançar o objetivo, respeitando as regras de arquitetura, segurança, orçamento e governança da organização.
Essa autonomia é uma característica importante, entretanto, autonomia não significa ausência de controle.
Um dos erros mais comuns na implementação de squads de tecnologia é interpretar agilidade como falta de processos.
Uma empresa pode permitir que os squads tomem decisões rapidamente e, ao mesmo tempo, manter padrões técnicos, políticas de segurança e mecanismos de governança.
Os squads multidisciplinares geralmente utilizam práticas de trabalho ágil para organizar prioridades. Dependendo do contexto, podem adotar Scrum, Kanban ou combinações de diferentes métodos.
O mais importante é que o processo permita visibilidade sobre o trabalho, as pessoas envolvidas precisam compreender o que está sendo desenvolvido, quais atividades possuem prioridade, quais dependências existem e quais obstáculos impedem o avanço.
Além disso, um squad de T.I precisa acompanhar resultados, métricas como velocidade de entrega podem ser úteis para compreender a capacidade operacional, mas não devem ser os únicos indicadores.
Em muitos casos, métricas relacionadas ao negócio e ao usuário oferecem uma visão mais completa, uma equipe responsável por uma plataforma interna, por exemplo, pode acompanhar redução de chamados, tempo médio de atendimento, disponibilidade do serviço e satisfação dos usuários.
A importância da multidisciplinaridade.
A principal característica dos squads de T.I é a multidisciplinaridade. Problemas tecnológicos raramente pertencem exclusivamente a uma especialidade.
Um incidente de desempenho pode envolver código, banco de dados, infraestrutura, arquitetura e comportamento dos usuários, da mesma forma, uma vulnerabilidade pode exigir participação de especialistas em segurança, desenvolvimento e operações.
Quando essas competências estão conectadas, a equipe consegue analisar o problema por diferentes perspectivas.
Além disso, os squads multidisciplinares reduzem a tendência de decisões isoladas, um desenvolvedor pode pensar em funcionalidades, enquanto um profissional de segurança identifica riscos e um analista de infraestrutura avalia impacto na operação.
Essa diversidade técnica melhora a qualidade das decisões, desde que exista colaboração.
Por outro lado, multidisciplinaridade não significa reunir o maior número possível de pessoas, squads excessivamente grandes podem perder velocidade e dificultar a comunicação.
O objetivo é reunir as competências necessárias para resolver determinado problema, mantendo a equipe suficientemente integrada para trabalhar de forma coordenada.
Os principais benefícios dos squads de T.I.
Um dos principais benefícios dos squads de T.I é a redução das barreiras entre áreas, quando profissionais trabalham em departamentos isolados, cada grupo pode priorizar objetivos diferentes.
Os squads de tecnologia criam um objetivo compartilhado, isso ajuda a alinhar decisões e reduzir disputas relacionadas à responsabilidade.
Outro benefício é a maior velocidade na tomada de decisões,como as competências necessárias estão mais próximas, muitas dúvidas podem ser resolvidas sem percorrer diversos níveis hierárquicos.
Além disso, os squads multidisciplinares podem aumentar a responsabilidade sobre os resultados, a equipe deixa de atuar apenas como executora de tarefas e passa a acompanhar o impacto do trabalho.
Esse modelo também favorece o aprendizado contínuo, profissionais de diferentes áreas passam a compreender melhor os desafios enfrentados pelos colegas.
Um desenvolvedor pode compreender melhor os impactos de uma decisão sobre a infraestrutura, um profissional de infraestrutura, por sua vez, pode participar mais cedo das decisões relacionadas à arquitetura.
Com o tempo, essa colaboração reduz alguns conflitos tradicionais entre desenvolvimento e operações.
Outro benefício importante está na capacidade de adaptação, squads de T.I podem revisar prioridades conforme novas informações surgem, isso é especialmente útil em ambientes nos quais requisitos mudam rapidamente.
Ainda assim, adaptação não significa mudar de direção diariamente, um squad de tecnologia precisa manter objetivos estáveis durante tempo suficiente para gerar resultados.
Squads de T.I e metodologias ágeis.
Os squads de T.I são frequentemente associados às metodologias ágeis, mas os dois conceitos não são exatamente iguais.
Um squad é uma forma de estruturar pessoas e competências, já metodologias como Scrum e Kanban são formas de organizar e acompanhar o trabalho.
Uma empresa pode criar squads multidisciplinares e utilizar diferentes práticas de gestão conforme o tipo de atividade, um time que desenvolve um produto pode trabalhar em ciclos de desenvolvimento, outro, responsável por operações críticas, pode utilizar um fluxo contínuo.
A escolha deve considerar o contexto.
O problema aparece quando organizações transformam agilidade em um conjunto rígido de cerimônias, reuniões frequentes, quadros digitais e ciclos curtos não garantem melhores resultados.
A agilidade depende da capacidade de aprender, ajustar prioridades e entregar valor com frequência, por isso, os squads de tecnologia precisam compreender por que determinadas práticas são utilizadas, e não apenas reproduzir rituais.
Os desafios na implementação de squads de tecnologia.
Apesar dos benefícios, implementar squads de T.I apresenta desafios importantes.
Um dos maiores está relacionado à cultura organizacional, empresas com estruturas altamente hierárquicas podem ter dificuldade para conceder autonomia.
Se todas as decisões precisam subir para diversos níveis de aprovação, o squad perde parte de sua capacidade de resposta.
Outro desafio envolve a definição de responsabilidades, em uma estrutura multidisciplinar, profissionais colaboram em diversas atividades, mesmo assim, é necessário estabelecer responsabilidades claras.
A colaboração não pode se transformar em uma situação na qual ninguém sabe quem toma determinada decisão.
A comunicação entre squads de tecnologia também pode se tornar um problema à medida que a empresa cresce, equipes autônomas podem criar soluções incompatíveis se não existirem padrões compartilhados.
Por essa razão, autonomia e alinhamento precisam coexistir.
Organizações que trabalham com vários squads de T.I geralmente precisam estabelecer princípios de arquitetura, segurança e integração, esses princípios funcionam como limites que permitem autonomia sem gerar desorganização tecnológica.
Outro desafio está na formação das equipes, nem sempre é possível reunir imediatamente todos os profissionais necessários.
Além disso, alguns especialistas podem precisar contribuir com diversos squads. Isso pode criar novas dependências.
A empresa precisa avaliar cuidadosamente onde cada competência gera maior valor e evitar a criação de equipes apenas para reproduzir um modelo organizacional popular.
A relação entre squads de T.I, DevOps e operações.
Os squads de T.I também possuem uma relação próxima com práticas de DevOps, ambos os conceitos buscam reduzir barreiras entre áreas e melhorar a colaboração.
DevOps procura aproximar desenvolvimento e operações, incentivando automação, integração contínua, monitoramento e responsabilidade compartilhada, um squad de tecnologia pode incorporar esses princípios ao reunir profissionais que participam de diferentes etapas do ciclo de vida de um serviço.
Isso reduz o risco de uma equipe desenvolver uma solução sem considerar como ela será operada, a observabilidade, por exemplo, pode ser discutida durante o desenvolvimento. Métricas, logs e alertas deixam de ser preocupações exclusivas da operação.
Da mesma forma, requisitos de segurança podem ser incorporados mais cedo.
Essa abordagem é especialmente importante para empresas que dependem de serviços digitais, quanto mais rapidamente uma organização entrega mudanças, maior precisa ser sua capacidade de identificar problemas e responder a incidentes.
Nesse cenário, squads multidisciplinares podem aproximar desenvolvimento, operações e suporte.
Como medir a eficiência dos squads de T.I?
Medir a eficiência dos squads de T.I exige mais do que contar tarefas concluídas.
A quantidade de entregas não revela necessariamente o valor produzido, uma equipe pode concluir dezenas de atividades sem resolver o problema que motivou sua criação, por isso, os indicadores devem estar conectados ao objetivo do squad.
Um squad de tecnologia responsável por melhorar uma aplicação pode acompanhar a estabilidade, desempenho e satisfação dos usuários.
Já uma equipe dedicada à melhoria do suporte pode observar redução do tempo de resolução, diminuição de solicitações repetitivas e cumprimento de acordos de nível de serviço.
Além dos resultados, também é importante acompanhar a capacidade operacional, métricas relacionadas a tempo de ciclo, bloqueios e retrabalho ajudam a identificar problemas no fluxo.
Ferramentas de gestão de serviços podem contribuir nesse processo, especialmente quando o trabalho dos squads de T.I possui relação direta com incidentes, solicitações e processos internos.
A análise dos dados permite identificar gargalos e transformar percepções em decisões baseadas em evidências.
O papel do Help Desk e do Service Desk nos squads de T.I.
Em muitas organizações, as equipes de Help Desk e Service Desk possuem informações importantes para os squads de tecnologia.
Os chamados registrados pelos usuários revelam problemas recorrentes, dificuldades de utilização, falhas de sistemas e oportunidades de automação, quando esses dados permanecem isolados dentro da operação de suporte, a empresa pode perder informações úteis para melhorar produtos e serviços.
Por outro lado, quando os dados do atendimento são utilizados pelos squads multidisciplinares, problemas recorrentes podem ser investigados e eliminados em sua causa.
Um grande volume de chamados relacionados à mesma falha, por exemplo, pode indicar a necessidade de uma correção estrutural, nesse contexto, a integração entre Service Desk, desenvolvimento, infraestrutura e operações fortalece a melhoria contínua.
Os squads de T.I deixam de atuar apenas de forma reativa e passam a utilizar dados operacionais para priorizar melhorias.
Conclusão: quando os squads de T.I fazem sentido?
Os squads de T.I representam uma forma de organizar pessoas, competências e responsabilidades em torno de objetivos específicos.
O modelo pode aumentar a colaboração, reduzir barreiras entre departamentos e aproximar tecnologia das necessidades do negócio.
Entretanto, criar squads de tecnologia não significa simplesmente alterar cargos ou desenhar novas estruturas organizacionais. O modelo exige objetivos claros, autonomia responsável, comunicação eficiente, métricas adequadas e governança.
Empresas que implementam squads multidisciplinares sem rever processos podem apenas transferir problemas antigos para uma nova estrutura.
Por outro lado, quando o modelo é aplicado para resolver problemas reais, os squads de T.I podem criar ciclos de trabalho mais integrados e facilitar a evolução contínua de produtos, serviços e processos.
O resultado depende menos do nome utilizado para definir a equipe e mais da capacidade da organização de permitir colaboração, aprendizado e responsabilidade compartilhada.
Para empresas que desejam conectar melhor a operação de suporte aos projetos de melhoria, acompanhar chamados, controlar SLAs, identificar problemas recorrentes e centralizar processos de atendimento, a tecnologia também precisa fazer parte dessa evolução.
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