
A segurança da informação deixou de ser uma preocupação restrita ao departamento de TI. Com ataques de ransomware, exploração de vulnerabilidades, roubo de credenciais e vazamento de dados cada vez mais frequentes, as empresas precisam estabelecer processos capazes de reduzir riscos de forma contínua.
É nesse contexto que entram os CIS Controls, um conjunto de boas práticas desenvolvido pelo Center for Internet Security (CIS) para fortalecer a segurança cibernética e proteger sistemas, redes e dados contra ataques.
Mas o que exatamente é um CIS Control? Como esses controles funcionam na prática? E, principalmente, como uma empresa pode implementar o CIS Controls sem transformar a segurança da informação em um projeto interminável?
A resposta passa por entender que os CIS Controls não são apenas recomendações genéricas de segurança.
Eles apresentam ações priorizadas e prescritivas, chamadas de Safeguards, que ajudam as organizações a identificar vulnerabilidades, estabelecer processos de proteção e medir a evolução da sua postura de segurança.
A versão atual é a CIS Controls v8.1, uma atualização da versão 8.0 que também aprimorou o alinhamento com o NIST Cybersecurity Framework 2.0.
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O que é CIS Control?
O CIS Control é uma prática de segurança cibernética definida dentro do conjunto conhecido como CIS Critical Security Controls, desenvolvido pelo Center for Internet Security, o framework reúne ações prioritárias que podem ser adotadas pelas organizações para reduzir a exposição a ameaças digitais.
Basicamente, em termos práticos, os CIS Controls funcionam como um roteiro para estruturar a cibersegurança empresarial.
Em vez de simplesmente recomendar que uma empresa tenha uma política de segurança, monitore seus ativos ou faça gestão de vulnerabilidades, o framework transforma essas necessidades em ações específicas que podem ser implementadas e avaliadas.
A proposta é justamente simplificar a segurança.
Os CIS Controls foram desenvolvidos para serem prescritivos, priorizados e mensuráveis, permitindo que empresas de diferentes tamanhos construam uma estratégia de proteção baseada nos riscos mais relevantes.
A versão CIS Controls v8.1 possui 18 controles e 153 Safeguards, os Safeguards correspondem às ações específicas que devem ser realizadas para colocar cada controle em prática.
Como funcionam os CIS Controls?
CIS Critical Security Controls organizam a segurança cibernética em controles que abrangem diferentes aspectos do ambiente tecnológico.
A estrutura considera elementos como ativos corporativos, software, dados, identidades, configurações, vulnerabilidades, logs, proteção contra malware, recuperação de dados, infraestrutura de rede e testes de segurança.
Um ponto importante é que os CIS Controls não devem ser interpretados como uma lista de tecnologias que a empresa precisa comprar.
O framework combina processos, pessoas e tecnologia, assim, instalar um firewall ou contratar uma ferramenta de gestão de vulnerabilidades não significa, por si só, que determinado CIS Control foi implementado.
A organização precisa demonstrar que existe um processo definido, que as atividades são executadas e que os resultados podem ser acompanhados.
A própria especificação de avaliação dos CIS Controls utiliza elementos como entradas, operações, medidas e métricas para tornar os Safeguards mensuráveis.
Essa característica torna o CIS Controls especialmente útil para empresas que precisam sair de uma segurança baseada em ações isoladas e construir um programa estruturado de gestão de riscos cibernéticos.
O que são os Safeguards nos CIS Controls?
Os Safeguards são as ações específicas que detalham como cada CIS Control deve ser implementado. Nas versões anteriores do framework, eles eram conhecidos como subcontroles.
Na prática, um controle pode estabelecer uma determinada área de proteção, enquanto seus Safeguards determinam o que precisa ser feito para atender aquela necessidade.
Dessa maneira, a organização consegue transformar um objetivo amplo de segurança em procedimentos concretos.
Um exemplo está relacionado ao gerenciamento de vulnerabilidades, não basta afirmar que a empresa realiza varreduras de segurança.
O CIS Controls v8.1 estabelece Safeguards relacionados à realização de varreduras automatizadas de ativos internos e externos e à correção das vulnerabilidades identificadas, considerando diferentes níveis de implementação.
Esse nível de detalhamento facilita tanto a implementação quanto a auditoria de segurança da informação, pois permite verificar se determinada prática realmente existe e se está sendo executada conforme o processo definido.
O que são os Implementation Groups?
Um dos principais diferenciais dos CIS Controls é a possibilidade de priorizar a implementação de acordo com o nível de risco, complexidade e recursos disponíveis.
Para isso, o CIS utiliza os Implementation Groups, conhecidos como IG1, IG2 e IG3.
O IG1 representa a base da implementação e é definido pelo CIS como uma espécie de higiene cibernética essencial, já o IG2 adiciona controles para ambientes com maior complexidade operacional, enquanto o IG3 contempla todos os controles e Safeguards.
A recomendação do CIS é que toda organização comece pelo IG1, mesmo quando pretende alcançar níveis mais avançados posteriormente.
O objetivo é criar uma fundação de segurança antes de avançar para requisitos mais complexos.
Isso também evita um problema comum em projetos de segurança cibernética: tentar implementar dezenas de controles simultaneamente sem possuir processos, responsáveis e recursos suficientes para sustentá-los.
CIS Controls v8.1: o que mudou?
O CIS Controls v8.1 é uma atualização incremental da versão 8.0.
Entre as mudanças estão revisões nas classes de ativos, melhorias nas descrições dos Safeguards, novos esclarecimentos conceituais e uma atualização dos relacionamentos com outros frameworks.
Um dos pontos relevantes foi o alinhamento com o NIST Cybersecurity Framework 2.0, incluindo a função Govern.
A mudança reforça a importância da governança dentro de um programa de segurança, conectando controles técnicos aos objetivos, riscos e processos de negócio.
A versão 8.1 também mantém o foco em ambientes modernos, incluindo cenários híbridos e de computação em nuvem, além de considerar riscos associados à cadeia de suprimentos.
Por isso, empresas que ainda utilizam versões anteriores devem avaliar uma migração para o CIS Controls v8.1, principalmente para manter seus processos alinhados às orientações mais atuais.
Como implementar o CIS Controls na empresa?
A implementação do CIS Controls deve começar pelo diagnóstico do ambiente atual.
Antes de definir novas ferramentas ou políticas, a organização precisa entender quais ativos possui, quais sistemas são utilizados, quais dados precisam ser protegidos, quais vulnerabilidades existem e quais processos de segurança já estão funcionando.
O primeiro passo é realizar um inventário de ativos de TI.
Computadores, servidores, dispositivos de rede, aplicações, serviços em nuvem e outros ativos precisam ser identificados, sem visibilidade sobre o ambiente, torna-se difícil determinar o que deve ser protegido.
Na sequência, é necessário avaliar o nível atual de maturidade em relação aos CIS Safeguards.
Essa análise permite identificar lacunas entre o que o framework recomenda e aquilo que a empresa efetivamente executa.
Depois disso, a organização deve definir seu Implementation Group, para muitas empresas, começar pelo IG1 é o caminho mais adequado, conforme a maturidade aumenta, os requisitos do IG2 e posteriormente do IG3 podem ser incorporados.
A etapa seguinte envolve transformar os requisitos em processos.
Isso significa estabelecer responsáveis, políticas, procedimentos, indicadores e mecanismos de acompanhamento, quando uma vulnerabilidade é identificada, por exemplo, não basta registrar o problema.
É necessário definir como ele será classificado, encaminhado, tratado, validado e encerrado.
Nesse ponto, uma plataforma de Help Desk e Service Desk pode contribuir para organizar o fluxo operacional.
Incidentes de segurança, solicitações relacionadas a acessos, problemas em equipamentos e demandas de infraestrutura podem ser registrados, encaminhados e acompanhados de maneira estruturada, criando também histórico e rastreabilidade.
CIS Controls, gestão de vulnerabilidades e resposta a incidentes.
A implementação dos CIS Controls também precisa estar conectada à rotina operacional de TI. Segurança não acontece apenas durante uma auditoria ou depois de um incidente. Ela depende de processos contínuos.
A gestão de vulnerabilidades, por exemplo, precisa estabelecer mecanismos para identificar, priorizar e corrigir falhas.
Da mesma forma, a gestão de incidentes de segurança precisa determinar como uma ocorrência será registrada, classificada, encaminhada e solucionada.
O histórico dos chamados pode ajudar a identificar recorrências, gargalos e problemas que exigem tratamento estrutural.
Além disso, indicadores de atendimento permitem acompanhar tempos de resposta, resolução e cumprimento de SLAs, contribuindo para uma visão mais ampla da operação de TI.
Essa integração entre segurança da informação, Service Desk e gestão de serviços permite transformar requisitos de segurança em processos que fazem parte do trabalho diário da organização.
CIS Controls e outros frameworks de segurança.
Os CIS Controls não precisam substituir outros frameworks utilizados pela empresa, pelo contrário, podem funcionar como uma camada prática de implementação e priorização.
O CIS disponibiliza um Navigator que permite relacionar os CIS Controls com diferentes padrões e frameworks, incluindo NIST CSF 2.0, ISO/IEC 27001:2022, PCI DSS 4.0, NIST SP 800-53, NIS2 e outros referenciais.
Essa capacidade de mapeamento é importante para organizações que precisam atender simultaneamente a diferentes requisitos de compliance, governança e segurança.
Em vez de manter iniciativas completamente separadas, a empresa pode identificar pontos de convergência e aproveitar controles já implementados.
Ainda assim, é importante entender que seguir os CIS Controls não significa automaticamente estar em conformidade com todas as regulamentações ou normas.
O framework pode ajudar a estruturar e fortalecer a segurança, mas cada requisito regulatório precisa ser analisado individualmente.
Quais são os benefícios do CIS Controls?
A adoção dos CIS Controls ajuda a empresa a transformar a segurança cibernética em um processo estruturado e mensurável.
Um dos principais benefícios é a priorização, já que a organização pode começar pelas medidas consideradas essenciais antes de avançar para controles mais complexos.
Além disso, os CIS Controls contribuem para melhorar a visibilidade sobre ativos, vulnerabilidades, processos e responsabilidades.
Isso reduz a dependência de ações improvisadas e facilita a criação de uma estratégia contínua de proteção de dados e infraestrutura de TI.
Outro benefício é a capacidade de medir evolução.
Como os Safeguards podem ser avaliados por meio de procedimentos e métricas, a empresa consegue identificar lacunas, acompanhar correções e estabelecer um processo de melhoria contínua.
CIS Control é obrigatório?
Os CIS Controls não são, por si só, uma legislação que todas as empresas precisam obrigatoriamente seguir, eles funcionam como um conjunto de boas práticas para fortalecer a segurança da informação.
Mesmo assim, sua adoção pode facilitar iniciativas de conformidade porque os controles podem ser relacionados a diferentes normas, regulamentações e frameworks.
O próprio CIS destaca o uso dos Controls como um ponto de partida para organizações que precisam fortalecer sua capacidade de atender requisitos de segurança e compliance.
Mais importante do que tratar o CIS Controls como uma obrigação é utilizá-lo como referência para responder a uma pergunta fundamental: a empresa realmente sabe quais são seus riscos e possui processos capazes de tratá-los?
Como manter os CIS Controls depois da implementação?
Implementar os CIS Controls não significa concluir um projeto e arquivá-lo. A infraestrutura muda, novos sistemas são contratados, funcionários entram e saem, vulnerabilidades são descobertas e novas técnicas de ataque surgem constantemente.
Por isso, a manutenção deve fazer parte de um ciclo contínuo de gestão de segurança cibernética.
Inventários precisam ser atualizados, vulnerabilidades devem ser acompanhadas, processos precisam ser revisados e indicadores devem ser analisados periodicamente.
A automação também pode reduzir o esforço operacional.
Ferramentas de inventário, gestão de vulnerabilidades, monitoramento, gerenciamento de identidades e Service Desk podem trabalhar em conjunto para gerar registros, evidências e fluxos de tratamento.
No fim, o maior valor dos CIS Controls está justamente em transformar segurança de uma preocupação abstrata em ações que podem ser executadas, acompanhadas e melhoradas continuamente.
Conclusão.
Os CIS Controls oferecem uma abordagem prática para empresas que precisam fortalecer sua cibersegurança, reduzir riscos e organizar processos de proteção.
Com 18 controles e 153 Safeguards na versão 8.1, o framework permite começar pela higiene cibernética essencial e evoluir gradualmente conforme a maturidade e o risco da organização.
A implementação mais eficiente não depende apenas de tecnologia, ela exige inventário, processos, responsabilidades, indicadores, gestão de vulnerabilidades, resposta a incidentes e melhoria contínua.
Quando essas práticas são integradas à operação de TI, a segurança deixa de funcionar como uma atividade isolada e passa a fazer parte da gestão dos serviços e da infraestrutura.
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